Há um par de dias, a Bárbara incitava-me a começar uma revolução entre os portugueses, para que estes deixassem de se conformar com a lei que determina quais os nomes que podem e não podem ser registados num bebé. Ainda que estivesse em condições de o fazer - e não estou porque, apesar do número de visitas diárias, eu não sou uma blogger mediática - tenho algumas reservas face ao resultado final de uma tão grande mudança de paradigma.
Por que sim...
Não sei se já alguma vez conversaram com alguém que não pôde registar o seu bebé com o nome que pretendia. Eu já e garanto-vos que compreendi bem o sentimento de injustiça revelado. Também já troquei impressões com uma mãe que pôde usar um nome anteriormente proibido e senti uma alegria imensa pela família. Por tudo isto, creio que a intromissão do Estado numa decisão tão pessoal é difícil de aceitar. Além disso, se o que se pretende é preservar o bem-estar da criança, nesse caso a proibição não se deveria estender a todos os bebés de nacionalidade portuguesa, independentemente da nacionalidade dos seus progenitores? E se o que se pretende preservar é a língua portuguesa, como se justifica a admissão de vocábulos que, claramente, não têm nada de portugueses? Até aqui, seria a favor da tal revolução. E neste momento sou a favor da aprovação de nomes estrangeiros, desde que correctamente grafados, seja em inglês, espanhol ou em russo. Continuo a preferir os nomes portugueses mas a partir do momento em que Brian, Bruce e Katie, por exemplo, são permitidos, não vejo por que não devem ser aprovados muitos outros.
Por que "nim"...
Contudo, pergunto-me se a tão desejada liberdade de escolha nos pode conduzir a situações de exclusão. Sei que nem toda a gente partilha desta minha perspectiva mas infelizmente acredito que o nome próprio é factor de discriminação, que vai muito para além do bom/mau gosto.
Além do mais, a sociedade portuguesa, que critica ferozmente centenas de nomes próprios reconhecidos como tal, poderá ser gentil face a escolhas mais ousadas? Eu sei que não tenho nada a ver com o nome que os outros escolhem para os seus filhos mas também sei que os filhos não têm voto na matéria em relação ao seu próprio nome e que, no final de contas, são eles que acabam por carregá-lo ao longo da vida e são eles o alvo do desprezo alheio...
Na vossa opinião, deveria desvalorizar mais os "contra", face a "prós" tão poderosos?

